Cheregato pede um psiquiatra O padre José Severino Cheregato, 42, afirmou que “sente a real necessidade de ser submetido a um tratamento psiquiátrico”. O religioso, que também é capitão da Força Aérea Brasileira (FAB), será indiciado pelo Ministério Público Militar (MPM) por desvio dinheiro da igreja de Nossa Senhora de Loreto, em Fortaleza, e ter quebrado o decoro militar. Na última sexta-feira, 17, foram apreendidas em sua residência oficial, em Manaus, 165 fotos “que retratam homens nus em poses de caráter erótico” ou se masturbando. São mais de 10 rapazes, entre civis, militares e ex-militares – alguns deles com parte do fardamento da Aeronáutica.

Cheregato, internado desde a última sexta-feira no hospital militar do VII Comando Aéreo Regional (Comar VII), em Manaus, afirmou em depoimento que na semana passada procurou ajuda psiquiátrica na FAB. Ontem, o promotor Alexandre Saraiva recomendou ao Comar VII que o oficial deveria ter um acompanhamento médico-psíquico. “O Ministério Público quer o descortinamento dos fatos e manter a saúde e a integridade física do padre. A mim interessa que ele permaneça saudável e não adoeça”, disse. O oficial, ex-capelão da Base Aérea de Fortaleza, disse que nas últimas semanas vinha se “sentindo fraco, deprimido, triste, e com uma angústia muito grande”.

No entanto, os problemas do padre podem se agravar. É que ele poderá responder também por crime de abuso sexual. Um dos rapazes com quem o oficial da FAB fez programas revelou em depoimento que no início do relacionamento dos dois “ainda era menor de idade”. Porém, não se lembrava o ano em que o relacionamento havia começado. Recordava, apenas, que a história se prolongou por muito tempo “mas desde o final de 2004 não tiveram mais nada”.

A testemunha, ouvida pelo MPM, conta que conheceu o padre porque sua mãe freqüentava as missas na igreja de Nossa Senhora do Loreto. Cheregato teria se tornado amigo da família e pago colégio, faculdade e auto-escola para o rapaz – que teria chegado a dirigir para o religioso. Além dos programas sexuais que teriam sido realizados em uma das casas da vila militar dos oficiais da FAB, em Fortaleza, o rapaz disse também que freqüentava os “churrascos”, promovido pelo capelão, e forrós no Clube e Parque do Vaqueiro.

O garoto de programa disse que esteve com Cheregato, pela última vez, na segunda-feira e domingo de Carnaval deste ano, na casa de sua mãe, localizada na praia de Paracuru. O capelão, que teria passado o feriado ao lado de dois michês, o convidou para ir a uma boate. Porém, ele diz ter recusado.

O rapaz informou também que “gostaria de apagar estas coisas da memória”, pois “desistiu da relação com o padre depois de reconhecer que o que fazia era errado”. Também em depoimento, a mãe do rapaz afirmou que não acreditava em nada do que o filho havia declarado.

O POVO ligou para o telefone celular do padre José Severino Cheregato, mas a ligação caiu na caixa-postal. Deixou recado, mas não obteve retorno. Segundo avaliação médica do hospital do Comar VII, o estado de saúde do religioso é considerado normal.

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